Terror dos postos de gasolina
— Com o teor de enxofre menor, haverá uma melhoria no nível de emissões e no consumo de gasolina. A carbonização dentro do motor também será reduzida.
— O intervalo para a manutenção básica [troca de óleo e filtros] é especificado pelas montadoras de acordo com cada modelo e não deve ser prolongado sem estudos, o que não ocorrer nos próximos anos.
Segundo Guedes, a nova gasolina permitirá uma menor contaminação do fluido lubrificante, mas as fabricantes ainda devem fazer análises para permitir um possível aumento no tempo para as trocas de óleo e filtro. Hoje, o intervalo médio varia de 5 mil a 10 mil quilômetros, dependendo do tipo de automóvel e de seu uso.
As vantagens serão mais sutis nos modelos dotados de tecnologia de ponta (como injeção direta e turbo), já que os sistemas eletrônicos adaptam o motor a diversos tipos de gasolina.
Melhor para os velhinhos (bem cuidados)
As vantagens da nova gasolina serão proporcionalmente maiores de acordo com a idade do veículo. O motivo para isso é justamente o abismo tecnológico entre os automóveis, como explicou Leandro Benvenutti, especialista em combustíveis da Ford do Brasil.
— Como os carros equipados com carburador não conseguem obter uma combustão tão eficiente quanto a dos modelos com injeção eletrônica, eles são muito mais sensíveis a combustíveis de melhor qualidade.
A vantagem, porém, pode virar problema se o motor não estiver no melhor de seus dias. A culpa, neste caso, é justamente da temida carbonização provocada pela gasolina ruim, como detalha Guedes.
— Em motores antigos a carbonização compensa eventuais folgas nas peças internas. Retirar ou diminuir alguns desses depósitos pode criar tolerâncias que não existiam antes, provocando ruídos e até perda de desempenho. Estes casos, porém, são excepcionais.
Felizmente a lista de vantagens da nova gasolina supera de longe os raros problemas que o novo combustível pode provocar. Até porque a adoção desse novo combustível é obrigatória.
Evolução compulsória
Assim como ocorreu com o diesel, a ANP (Agência Nacional do Petróleo) proibiu a comercialização de gasolina superior a 50 ppm de enxofre. E era para ser ainda melhor: a ideia era estrear o novo combustível com a obrigatoriedade de aditivos, mas problemas burocráticos levaram a prorrogar essa próxima mudança para 2015.
Ou seja: a partir do próximo ano, toda gasolina será aditivada, assim como já ocorre nos EUA.
Essa equalização do combustível vendido aqui com o que é oferecido lá fora é mais uma vantagem, mas quase invisível para os consumidores. O benefício, desta vez, será para as montadoras, que conseguirão adaptar melhor seus carros importados para os exclusivos combustíveis brasileiros — o país é o único no mundo a comercializar gasolina misturada com etanol (E25) e etanol puro (E100).
Esse detalhe, aliás, é óbvio, mas não deve ser esquecido: as vantagens da nova gasolina somente são válidas para carros que queimam esse combustível. O motivo é que o etanol não possui nenhuma parte de enxofre em sua composição, motivo pelo qual o biocombustível é menos poluente que a gasolina.
Porém, até mesmo os fãs do etanol serão impactados indiretamente pela novidade: com prazo de validade maior, a nova gasolina não envelhece tão rápido no tanquinho de partida a frio, dispensando o uso da Podium, que até 2013 era a única opção saudável para o compartimento extra. De um jeito ou de outro, essa revolução silenciosa impactará em todos (os tanques) dos automóveis do Brasil.
R7
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