Carlos Neves da Franca Neto explica que, de forma geral, os crimes mais comuns são os relacionados ao tráfico de drogas e os de maior potencial ofensivo, como assaltos em grande quantidade. “Muitos desses casos envolvem assaltantes contumazes com até seis assaltos na ficha que somados e com as progressões ainda chegam ao limite do cumprimento de pena que é de 30 anos”, frisou.
O juiz explica que os casos analisados com penalidade máxima de 30 anos em regime fechado revelam muito do instinto dos apenados. “Tráfico e assalto me parecem que são as maiores incidências, a não ser em casos de verdadeiras chacinas. Isso vem quando a pessoa tem a índole predisposta a cometer delitos dos mais variados”, frisou.
Um dos casos que chamaram a atenção da Paraíba foi o da Chacina do Rangel, que resultou na condenação do casal Edileuza Oliveira e Carlos José dos Santos pelas mortes do casal Moisés Soares Filho e Divanise Lima dos Santos, três filhos e da tentativa de homicídio contra outro. Edileuza recebeu como pena a reclusão por 120 anos e Carlos José por 116.
O juiz Carlos Neves explica que por mais chocantes que sejam os crimes, as estruturas públicas não podem se deixar levar pela emoção da população porque a prisão já é a pena. “Por mais grave que tenha sido praticado o crime, ele já está pagando por isso. O nosso limite é a lei. É a resposta da sociedade em todas as áreas e sentidos aos crimes cometidos. O aspecto importante é você cuidar da pessoa porque aquele cidadão que está preso vai voltar um dia para as ruas e precisa estar recuperado para não ser reincidente”, frisou.
O Sistema Penitenciário da Paraíba é composto por 9.074 apenados, segundo dados divulgados pela Secretaria da Administração Penitenciária em julho deste ano. Esta população está distribuída em 79 unidades das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP). O número de apenados sentenciados do regime fechado representa 44% total, com 4.293 pessoas presas.
Outros 39% dos apenados são provisórios. No semiaberto, a administração penitenciária conta com 1.082 (11%), e outros 545 (6%) estão no regime aberto. O Sistema de Administração Penitenciária da Paraíba é composta por 19 penitenciárias, uma colônia agrícola e 59 cadeias públicas.
G1
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