De acordo com o diretor da unidade prisional, Edmilson Alves de Sousa, 20 detentos já manifestaram o desejo de participar da primeira turma, mas só há vagas para dez. “Vamos fazer uma seleção interna, não tem espaço para acomodar todos os interessados”, declarou.
A máscara feita de sabonete continua sendo o assunto mais comentado dentro da penitenciária, que abriga 327 presos, entre provisórios e condenados, segundo informou o diretor. O Presídio Padrão de Santa Rita está localizado no município de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. O apenado disse que teve a ideia de fazer artes com sabonete para presentear o filho de oito anos. O primeiro trabalho dele foi um leão. A máscara, segundo ele, foi uma forma de chamar a atenção do sistema carcerário para pedir material de trabalho.
De acordo com Ziza Maia, gerente de ressocialização da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), o apenado vai ser incluído na folha de pagamento para receber o auxílio destinado a quem desenvolve algum tipo de trabalho na prisão. O secretário Wallber Virgolino garantiu entregar todo o material necessário para a oficina de artesanato utilizando sabonete. “Vamos incentivar esse trabalho, que é uma forma de ressocialização dentro das unidades prisionais”, frisou. Atualmente, na Paraíba, há 180 presos realizando algum tipo de trabalho dentro de presídios e cadeias públicas, conforme explicou Ziza. “O número deve ser bem maior. Esses 180 são os que temos catalogados, mas há muitos outros que desenvolvem algum tipo de trabalho e que ainda não foram identificados”, declarou. O sistema carcerário da Paraíba também conta com 35 salas de aulas, segundo Ziza.
Ainda de acordo com a gerente, o Estado tem um programa denominado 'Cidadania e Liberdade', que norteia todas as ações de ressocialização. Esse programa é dividido em cinco eixos: saúde, educação, família, trabalho e cultura. “Temos muitas ações sendo desenvolvidos simultaneamente. A secretaria tenta subsidiar o material para garantir o trabalho dos presos”, frisou.
A falta de estrutura das unidades, contudo, se torna um grande obstáculo para o desenvolvimento e a multiplicação das ações nos presídios, segundo Ziza. “Em alguns locais conseguimos um local específico, mas há também improviso. De uma forma ou de outra, o que importa é o trabalho desenvolvido pelos apenados”, comentou a gerente.
O material fabricado pelos detentos geralmente é vendido e a renda é revertida para compra de outros materiais e outra parte para a família. “Quando não há família, o dinheiro é usado para comprar o que é de necessidade do preso dentro da unidade. Isso já acontece em vários presídios da Paraíba”, destacou.
Outro exemplo de ressocialização realizado na Paraíba, segundo Ziza, é o que acontece no Presídio Feminino de Patos, no Sertão, onde uma reeducanda ensina a técnica da renda renascença para as demais. “É um trabalho magnífico, que realmente tem o objetivo de ressocializar e de despertar talentos dentro dos presídios”, afirmou a gerente. A Paraíba possui 8,9 mil apenados, conforme dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).
G1PB
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